Olá

Bem-vindo a este blog, fico muito feliz com a sua visita. Receber amigos é algo que nos estimula e realiza.


sábado, 2 de setembro de 2017

Tempos Idos e Atuais



Houve um tempo em que a palavra valia mais que qualquer assinatura, e um fio de bigode tinha valor de confiança.
Não que eu queira reviver o passado transbordando um saudosismo piegas, mas pela ordem natural das coisas o que sempre foi bom e justo deveria assim permanecer. Porém, de repente o progresso fornece munição aos maus e tira das mãos dos bons as armas que os protegem.
De repente... Tão de repente que ninguém se deu conta da transformação, houve uma época em que ser esperto era algo natural, tão próprio do ser humano. E a política do “levar vantagem” foi se espalhando em silêncio, sorrateiramente, incorporando-se nas casas, nas empresas, na sociedade, entre os jovens, na família... O filho pra respeitar e obedecer ao pai passou a ter que ganhar algo em troca: um celular, um carro, um computador... O empregado não se sente mais envergonhado em abastecer sua casa com os materiais de escritório da empresa, o aluno barganha nota usando a influência dos pais – boa ou má. Um jeitinho aqui, um pagamento ali... Para ser político já não precisa entender de política, basta pegar uma criancinha no colo, apertar a mão do pai e prometer uma “ajudazinha” aqui e acolá. Para dirigir um Estado ou um País, precisa mais que nunca fechar conchavos, pactuar com “o diabo” e esquecer as leis que ele próprio atribuiu a um Deus, a esse mesmo Deus a quem ele passou a utilizar para conquistar almas para o seu rebanho sem consciência.
Aliás, a palavra consciência continuou sendo tão duramente utilizada para castrar e amordaçar, mas deixou de existir tanto quanto voz moral quanto lugar seguro da realidade. O prazer foi dominado pelo poder e instigado por uma organização chamada mídia, que explode, a todo instante, bombas de imagens, tão rápidas e sugestivas que faz o indivíduo achar que sua vontade ainda lhe pertence, embora faça tudo que seu mestre mandar. 
As crianças, de repente, não mais que de repente se tornaram miniaturas de adultos, e estes, desnorteados pela invasão de informações contraditórias, se transformaram em depósito de lixo auditivo e visual.
E chegou o tempo da colheita... E hoje o bom tempo ficou ocioso e o mau tempo sobrecarregado de injustiças sociais, de intolerância e desordem. Respeito não é mais palavra de ordem, empatia uma via de mão única, amor ao próximo ficou obsoleto e cada um acredita que sua verdade é a que vale sobre as demais.
Chegou o tempo da colheita... Os campos emocionais estão repletos de tristezas, de ódios e plantações inteiras de síndromes e complexos. Nunca se tomou tantos medicamentos para dores existenciais e essas dores nunca foram tão perturbadoras.
Nos dias de hoje o que vale é não sofrer, é enganar o cérebro com remédios que dão a ilusão de que a felicidade existe e se esconde nas pequeninas cápsulas, muitas vezes sem receita, indicadas por pseudomédicos, formados nas escolas da transgressão. E essas cápsulas mágicas fazem o tempo parecer alado, voando rápido de um extremo a outro da consciência e ninguém mais se entende no olho no olho. Mas para que se podemos nos entender nas redes, não aquelas que balançam ao sabor do tempo, mas aquela rede intrincada e perigosa onde todo mundo é feliz e bondoso até que alguém diga: Culpado! Homo! Negro! Pobre, Riquinho... Palavras, só palavras, mas que carregam em si a amargura dos seres, o preconceito e a maldade dos que não aprenderam a sonhar, porque hoje em dia sonhar é para poucos, para quem ainda tem coragem de remar contra a maré, para quem, mesmo sem saber nadar, se atreve a atravessar o mar de lama e destruição moral que assola o novo tempo, que desperta o que há de pior no individuo fabricado por aquele tempo do jeitinho, onde tudo era permitido. 

Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0


Você poderá gostar de ler também: A fragilidade humana


Obrigada, por visitar meu blog.























domingo, 8 de janeiro de 2017

O tempo não para

E de repente uma sensação de imenso vazio, e uma tristeza tão grande que parece não ter fim. De repente a vida parece curta, invivida. De repente...

Eu não sei em que ponto o caminho se perdeu, em que parte a história se rompeu. Só sei que acordei assim, achando que o cristal se quebrou e o brilho que luzia e me enfeitiçava já não existe mais.
Assim, sem mais nem porquês, apenas de repente.
Ainda ontem pensava que havia tempo para tudo, que o mundo não girava tão depressa e eu podia controlar as horas, os minutos... os segundos.
Mas acordei e vi que já não há tanto tempo, que as horas não parecem ter sessenta minutos, mas sessenta segundos, e que os milésimos de segundo são partes da minha imaginação.
Quem poderia afirmar que o curso da vida seria tão veloz? Como, se ainda ontem eu tinha apenas vinte anos?
Se eu fechar os olhos e voltar a dormir poderei voltar no tempo ou descobrir que tudo não passou de um sonho? Que aquelas horas mortas de tédio ou inércia não existiram e nem ao menos influíram para esse vazio que agora me consome?
Perguntas...
O tempo consome as respostas quando as perguntas são lentas. O tempo consome as perguntas quando se tem as respostas.
O tempo não cria, o tempo não dispõe. Ele apenas observa.
O tempo não chora nossas perdas, não sorri de nossas alegrias. Ele apenas observa e passa.
E passa inexoravelmente. Não adianta suplicar. Ele não para pra você descer, ele não dá “pause”, ele não se importa se você não o acompanha.
Mas o tempo não é mau. O tempo sabe ser bom.
O tempo não te prende no infortúnio, ele não te aprisiona no passado.
Ele ajuda a esquecer das dores, dos conflitos...
Ele auxilia passando, voando. E de repente já não temos mais vinte anos. E de repente acordo com essa vontade de voltar atrás, só um pouquinho.
E percebo que o vazio não é do tempo, mas de mim. Que apesar do tempo transcorrido eu não transcorri. Permaneci naquele ponto distante, onde nem me lembro mais.
Aquelas horas mortas existiram e me roubaram o tempo. Não o tempo do mundo, mas o que me habita e que eu sabotei.
Essa é a tristeza da alma e que demora traduzir. Quanto tempo ainda me resta? Quantas horas tenho pra ser feliz?
Olho o relógio na parede, os ponteiros passando, dia após dia, pelos mesmos lugares... Que desventura, que rotina sem sentido. Mas ele representa o tempo, enquanto está vivo não para. Observo a pequena bateria que o mantém vivo e penso na bateria que me move, na rotina do relógio que passa pelos mesmos lugares sem se deter em nenhum.
E de repente a sensação de vazio se perde no tic tac das horas e a tristeza dá lugar à reflexão.
A vida é curta, mas precisa ser vivida. Não importa mais em que ponto o caminho se perdeu ou a história se rompeu, porque aos vinte, aos trinta ou aos oitenta, passando pelos mesmos lugares posso fazer uma história diferente. Não preciso me deter num minuto, posso transpor cada segundo como se fosse o último e me surpreender com o tempo que passou. O cristal da vida brilha através de mim e não do tempo. Posso recompor o prisma, posso reconstruir meu tempo interior e ressignificar minhas prioridades.
Compreendo o sentido da palavra passado e espanto os fantasmas dos tempos idos. Deixo de lamentar o que não foi feito, não há mais tempo para arrependimentos. Não importa se tenho um, dez ou vinte anos mais. Assumo que meu tempo não se mede por dias, ele é feito de segundos e estes, eu os tenho de sobra.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

El miedo de ser feliz




Hoy he decidido hablar de la dificultad de ser feliz.
Algunas personas creen que no se puede ser feliz porque el miedo y la incertidumbre nos acompañan, la violencia nos aprisiona, la ingratitud nos deprime, la traición nos desuela y la falta de dinero nos limita. Pero, mientras que algunos piensan así, otros disfrutan y se divierten como pueden.
Ríen, pasean, trabajan, van de compras y creen que la vida es maravillosa.
¿Qué os hace diferentes? Es el deseo de ser feliz!
Todos los días nos encontramos con personas en dificultades, sufridas, que ansían por una perfección neurótica, enmarcada en los patrones que no se armonizan con las exigencias y las expectativas del otro. Un sentimiento que bloquea nuestras acciones, porque siempre estamos queriendo hacer cosas y controlar el máximo todo que nos rodea para nos disgustar lo mínimo posible. Pero la sensación de que no nos aceptan es permanente, aunque nos esforcemos, y en este deseo omnipotente de control nos tornamos exigentes e intolerantes.
Pasamos  a  nos irritar con el comportamiento de los demás sin darnos cuenta de que lo que nos irrita es precisamente aquello que tratamos de ocultar en nosotros mismos.
Pero ¿por qué estamos siempre pegados a la negatividad?
Porque tenemos tanto miedo de ser feliz cuanto de sufrir. 
Pensar en el mal hace que, como por magia, alejemos de nosotros el peligro y ocultemos nuestros ideales para mantenerlos protegidos.
Esas son creencias que hemos adquirido aún muy pequeños, cuando se nos enseñaran que siempre debemos estar vigilantes porque estamos a merced de la envidia y de la rabia de nuestros enemigos. Por un lado este tipo de pensamiento es un bálsamo para nuestro orgullo, después de todo, si algo sale mal, sólo tenemos que mirar a la vuelta y buscar un chivo expiatorio.
Pero eso no aplaca nuestra angustia.
Para obtener un culpable causamos en nosotros el sentimiento de rechazo: si nos hacen daño es porque no somos amados y, así, se queda cada vez más difícil vivir en este mundo hostil que creamos. Eso me lleva a recordar  una historia que oí.
Cuentan que en la entrada de un pequeño pueblo había un viejo que estaba siempre sentado observando el paisaje y prestando informaciones a los conductores que pasaban por allí. Un día se le acercó una pareja que quería saber cómo era el pueblo, pues pretendían vivir allí. El hombre pensó y les preguntó: “¿Cómo es el lugar de dónde vienen? A lo que respondió el conductor, " por desgracia es una ciudad fea, sucia, la gente es incapaz de amar y respetar a los demás, va a ser un alivio salir de allí”.
El viejo se rascó la cabeza y respondió: " Yo creo que no te gustará vivir aquí. Todo lo que quieren dejar atrás es lo que encontrarán.
Pocos días después, otra familia y una vez más al viejo se hacen la misma pregunta. El anciano cuestiona los visitantes cuanto la ciudad de donde provienen y escucha: “Oh , mi ciudad es maravillosa. Conocemos a mucha gente y tenemos muchos amigos. Echaremos de menos..." Al oír esto, el viejo abre una gran sonrisa y dice "bienvenidos, ustedes serán muy felices aquí. Este pueblo es limpio y acogedor. "
Un joven que había escuchado ambas conversaciones preguntó, confundido, al anciano: “¿Cómo puede ser eso? A un usted ha dicho que el pueblo era malo y para el otro que es una maravilla...“
El anciano en voz baja respondió: " Yo no mentí, ni fue contradictorio. Cada uno de los hombres que me han acercado tendrá de la ciudad la misma visión del mundo que lleva dentro de sí mismo”.
Bueno, mis amigos, cada uno de nosotros ve la vida con los colores que lleva. El problema es que siempre estamos buscando la combinación perfecta, la orden perfecta, la persona perfecta, un mundo sin defectos, lleno de historias con finales felices, cuando se necesita para ser feliz simplemente vivir un día a la vez, en la sencillez que la vida nos ofrece.

Gracias por venir a mi blog.